The BR Insider · Acervo
Memória
Curadoria editorial e análise documental sobre a ditadura militar brasileira (1964–1985). Verbetes analíticos, documentos comentados com atribuição arquivística, cronologia e guia de acervos oficiais.
Eixos temáticos
Repressão e aparato de segurança
Os órgãos, mecanismos e operações de vigilância, prisão, tortura e eliminação de opositores durante a ditadura militar.
Mortos e desaparecidos
As vítimas fatais do regime: mortos em prisões, desaparecidos políticos e o trabalho das comissões de reparação e memória.
Censura, imprensa e cultura
O controle da informação, a autocensura nas redações, a perseguição a artistas e intelectuais e as formas de resistência cultural.
Justiça militar e perseguição
O uso da Justiça Militar como instrumento de punição de civis, os IPMs, os processos e as cassações de direitos políticos.
Dimensão internacional
O apoio externo ao golpe, a Operação Condor, o exílio de perseguidos e as relações do regime com potências estrangeiras.
Economia e sociedade
O 'milagre econômico', a concentração de renda, a repressão sindical e os impactos sociais do modelo desenvolvimentista autoritário.
Verbetes recentes
DOI-CODI: a cadeia clandestina da repressão
Os Destacamentos de Operações de Informações — Centros de Operações de Defesa Interna foram o principal instrumento de tortura e eliminação de opositores do regime militar entre 1970 e 1983. Nascidos da Operação Bandeirante paulista, espalharam-se pelos quatro comandos militares e produziram a maioria dos mortos e desaparecidos reconhecidos pela Comissão Nacional da Verdade.
Os desaparecidos da Guerrilha do Araguaia
Entre 1972 e 1974, o Exército brasileiro eliminou militarmente um núcleo guerrilheiro do PCdoB instalado na região do Araguaia, no sul do Pará, em operações mantidas em sigilo absoluto durante a ditadura. Cerca de 63 militantes foram mortos, a maioria após captura, e seus corpos foram deliberadamente ocultados em operação posterior — crime classificado como continuado pela Corte Interamericana, que condenou o Brasil em 2010. Décadas depois, os restos mortais da maioria dos desaparecidos ainda não foram localizados, e nenhum agente do Estado foi responsabilizado penalmente.
A censura prévia à imprensa (1968–1978)
Entre 1968 e 1978, o regime militar brasileiro impôs censura prévia à imprensa por meio de dois mecanismos principais: o destacamento de censores físicos para redações de jornais como O Estado de S. Paulo e o semanário Opinião, e o envio de orientações verbais e escritas que controlavam rádio, televisão e publicações sem presença direta do Estado. A Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP), subordinada ao Ministério da Justiça, coordenou o aparato formal, enquanto a autocensura ampliou o controle de forma não documentada. O recuo gradual da censura, entre 1975 e 1978, culminou na revogação do AI-5 em outubro de 1978.