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Eixo 6 · Tema

Economia e sociedade

O 'milagre econômico', a concentração de renda, a repressão sindical e os impactos sociais do modelo desenvolvimentista autoritário.

Verbetes neste eixo

O milagre econômico e seus custos sociais (1969–1973)

Entre 1969 e 1973, o Brasil registrou crescimento do PIB a taxas próximas de 11% ao ano — o chamado 'milagre econômico' da ditadura militar. O modelo foi arquitetado pelo ministro Delfim Netto sob a premissa de que o 'bolo' precisava crescer antes de ser dividido, mas os dados de distribuição de renda dos censos de 1970 e 1980 mostram que os 50% mais pobres perderam participação na renda nacional enquanto o 1% mais rico a ampliou. A repressão sindical garantida pelo AI-5 e pelo aparato do DOI-CODI era condição estrutural do arrocho salarial que tornava o modelo atrativo ao capital estrangeiro. O choque do petróleo de 1973 expôs a vulnerabilidade do modelo, e a crise da dívida de 1982 encerrou o ciclo.

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Reforma Agrária Bloqueada

O golpe de 1º de abril de 1964 teve na questão fundiária um de seus gatilhos mais diretos: o decreto de desapropriação de terras às margens de rodovias e ferrovias federais, anunciado por João Goulart no Comício da Central três dias antes, mobilizou latifundiários, a UDN e setores militares conservadores em torno da narrativa do 'comunismo no campo'. Ao longo dos 21 anos seguintes, o regime militar aprovou o Estatuto da Terra — legislação tecnicamente avançada — mas esvaziou sua aplicação redistributiva, substituindo a reforma por programas de colonização em áreas de fronteira e por um modelo de crédito agrícola que concentrou terra e renda nas mãos dos grandes proprietários. O resultado estrutural foi uma das distribuições de terra mais desiguais do mundo: em 1985, o coeficiente de Gini fundiário brasileiro era de 0,857, praticamente idêntico ao de 1967, enquanto o campo acumulava décadas de violência, expropriação de posseiros e extermínio de lideranças camponesas.

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