Mortos e desaparecidos
As vítimas fatais do regime: mortos em prisões, desaparecidos políticos e o trabalho das comissões de reparação e memória.
Verbetes neste eixo
Os desaparecidos da Guerrilha do Araguaia
Entre 1972 e 1974, o Exército brasileiro eliminou militarmente um núcleo guerrilheiro do PCdoB instalado na região do Araguaia, no sul do Pará, em operações mantidas em sigilo absoluto durante a ditadura. Cerca de 63 militantes foram mortos, a maioria após captura, e seus corpos foram deliberadamente ocultados em operação posterior — crime classificado como continuado pela Corte Interamericana, que condenou o Brasil em 2010. Décadas depois, os restos mortais da maioria dos desaparecidos ainda não foram localizados, e nenhum agente do Estado foi responsabilizado penalmente.
Vladimir Herzog
Vladimir Herzog foi jornalista, diretor de jornalismo da TV Cultura e militante clandestino do Partido Comunista Brasileiro que, em 25 de outubro de 1975, foi convocado pelo DOI-CODI de São Paulo, torturado e morto nas dependências do órgão — fato encoberto pela versão oficial de suicídio por enforcamento. O caso se tornou o ponto de inflexão mais visível da resistência à ditadura militar brasileira: a missa ecumênica celebrada na USP reuniu oito mil pessoas num ato de desobediência coletiva que o regime não conseguiu sufocar. A condenação da União pela morte de Herzog em 1978, obtida por ação civil de sua viúva, foi a primeira vez que o Estado brasileiro foi responsabilizado judicialmente por um assassinato político cometido durante o regime de exceção.