Dimensão internacional
O apoio externo ao golpe, a Operação Condor, o exílio de perseguidos e as relações do regime com potências estrangeiras.
Verbetes neste eixo
Operação Condor: a rede de repressão do Cone Sul
A Operação Condor foi uma rede clandestina de cooperação repressiva entre as ditaduras do Cone Sul, fundada em novembro de 1975 em Santiago do Chile, com participação formal do Brasil a partir de 1976. Por meio do SNI, CIEX, CIE e DOPS, o regime brasileiro monitorou exilados no exterior, entregou e recebeu presos políticos de países vizinhos, e colaborou em operações que resultaram em mortes e desaparecimentos documentados. Os Arquivos do Terror do Paraguai, descobertos em 1992, confirmaram a existência coordenada da rede. A Comissão Nacional da Verdade concluiu, em 2014, que o Estado brasileiro participou de graves violações a direitos humanos no âmbito da Condor.
Exílio Político
Entre 1964 e 1979, estima-se que dez mil a vinte mil brasileiros foram forçados ao exílio por razões políticas — entre cassados, perseguidos por aparatos de repressão e militantes que cruzaram fronteiras para escapar da prisão ou da morte. O fenômeno não foi homogêneo: abrangeu figuras de alta visibilidade pública, como ex-presidentes e intelectuais renomados, mas também sindicalistas, estudantes e combatentes armados cujos nomes permaneceram desconhecidos por décadas. Dispersos por quatro continentes, os exilados brasileiros construíram redes de denúncia internacional, mantiveram imprensa clandestina e produziram parte substancial da cultura e do pensamento político que moldaria a redemocratização do país.